Septoplastia: Tudo Sobre a Cirurgia de Septo

 ·  Clínica Plastiquè

O que é a septoplastia e quando ela é necessária

A septoplastia é a cirurgia de correção do desvio de septo nasal — o reposicionamento do septo para a linha média, restaurando a passagem simétrica de ar pelas duas narinas. É uma das cirurgias mais realizadas em otorrinolaringologia no Brasil e no mundo, com indicação precisa e resultados funcionais consistentes.

O septo nasal é a estrutura de cartilagem e osso que divide o nariz internamente em duas passagens. Quando desviado — para um lado ou com curvaturas em S — obstrui parcial ou totalmente uma das narinas, forçando o paciente a respirar majoritariamente pelo lado desobstruído e pela boca. Com o tempo, essa assimetria causa sintomas progressivos que comprometem o sono, a atividade física e a qualidade de vida.

A septoplastia não é estética — não altera o formato externo do nariz e não deixa cicatrizes visíveis. É uma cirurgia puramente funcional: o objetivo é a respiração, não a aparência.

Diferença entre septoplastia e rinoplastia

A confusão entre os dois procedimentos é frequente. A distinção é clara:

SeptoplastiaRinoplastia
ObjetivoFuncional — melhorar respiraçãoEstético — mudar forma do nariz
Estrutura trabalhadaSepto nasal (interno)Pirâmide nasal (externo + interno)
IncisõesInternas, sem cicatriz externaInternas + pequena incisão columelar (aberta)
Cobertura pelo planoSim — indicação médicaNão — procedimento estético
Resultado visívelNão — aparência inalteradaSim — novo formato nasal
Pode ser combinada?Sim — com rinoplastia (septorrinoplastia)Sim — com septoplastia quando há desvio

A septorrinoplastia é a combinação dos dois procedimentos em uma única cirurgia — indicada quando o paciente tem desvio de septo com obstrução funcional e deseja também corrigir aspectos estéticos do nariz. A parte funcional pode ser coberta pelo plano de saúde e a estética é custeada pelo paciente.

Quem é candidato à cirurgia?

A indicação de septoplastia é clínica — baseada em sintomas, exame físico e resposta (ou falta de resposta) ao tratamento clínico. Não existe critério de "quanto desvio" no exame de imagem que indique cirurgia automaticamente: muitos desvios anatômicos significativos são assintomáticos e não requerem tratamento.

Candidatos à septoplastia:

  • Obstrução nasal persistente por desvio de septo confirmado na endoscopia
  • Falha do tratamento clínico (corticoide nasal, descongestionantes, controle de rinite) por ≥ 3 meses
  • Ronco e qualidade de sono comprometidos pela obstrução nasal
  • Cefaleia de repetição por compressão do septo nas conchas nasais (cefaleia de contato)
  • Infecções sinusais de repetição favorecidas pela obstrução
  • Epistaxe (sangramento nasal) de repetição por mucosa ressecada no lado obstruído

Contraindicações temporárias: crianças com cartilagem nasal em crescimento (aguardar 16–19 anos, conforme o sexo); infecção nasal ou sinusal ativa; distúrbios de coagulação não controlados.

Como é realizada a septoplastia

A septoplastia é realizada exclusivamente por via endonasal — todas as incisões são feitas dentro do nariz, sem cortes externos. O paciente não fica com cicatrizes visíveis.

Etapas do procedimento:

  1. Incisão hemitransfixante: corte na mucosa do septo, no lado côncavo do desvio, que permite o descolamento da mucosa sem perfurá-la
  2. Dissecção subpericondrial e subperiosteal: a mucosa é cuidadosamente descolada da cartilagem e do osso septal subjacente, como uma "camisa" sendo removida
  3. Ressecção ou reposicionamento do septo desviado: os segmentos cartilaginosos e ósseos desviados são retirados ou remodelados e reposicionados na linha média
  4. Preservação da borda dorsal e caudal: pelo menos 1 cm de cartilagem septal é sempre preservado — essa estrutura suporta a ponta do nariz; sua remoção excessiva causa colapso nasal
  5. Reposicionamento da mucosa e sutura: a mucosa é reposicionada e suturada com fio absorvível. Tamponamento interno é colocado por 24–48h para prevenir sangramento

A cirurgia dura em média 45 minutos a 1,5 hora, dependendo da complexidade do desvio.

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Septoplastia com turbinoplastia: a combinação mais frequente

Em muitos pacientes com desvio de septo, as conchas nasais (cornetos inferiores) do lado mais desobstruído crescem compensatoriamente ao longo dos anos — é a chamada hipertrofia compensatória dos cornetos. Esse fenômeno ocorre porque o lado "livre" suporta mais fluxo de ar, estimulando o crescimento do tecido.

Após a septoplastia, corrigir o desvio "abre" o lado que estava obstruído — mas o corneto hipertrofiado do lado oposto continua ocupando espaço, e o resultado pode ser uma melhora incompleta da respiração.

Por isso, a turbinoplastia (redução dos cornetos) é realizada simultaneamente à septoplastia na maioria dos casos em que há hipertrofia compensatória. A combinação garante um resultado respiratório otimizado em ambas as narinas. As técnicas incluem radiofrequência (menos invasiva) e ressecção parcial com microdebridor (mais definitiva, realizada sob anestesia geral junto à septoplastia).

Anestesia, internação e duração

Tipo de anestesia: geral na maioria dos casos. Anestesia local com sedação é uma alternativa para septoplastias simples em pacientes selecionados, mas a anestesia geral proporciona maior conforto e facilidade técnica.

Internação: procedimento ambulatorial na maioria dos casos — a alta hospitalar ocorre horas após a cirurgia, no mesmo dia. Internação noturna é indicada em casos de septoplastia combinada com outras cirurgias ou em pacientes com comorbidades.

Duração: 45 minutos a 1,5 hora para septoplastia isolada; 1,5 a 3 horas quando combinada com turbinoplastia e/ou FESS.

Recuperação semana a semana

PeríodoO que esperar
Dia 0–1Tamponamento nasal bilateral, respiração pela boca, leve sangramento na gaze
Dia 2–3Retirada do tampão — alívio imediato mas nariz ainda congesto pelo edema
Dias 4–7Congestão progressivamente menor; início das lavagens com soro fisiológico
Semana 2Retorno gradual às atividades leves; evitar esforço físico e ambientes empoeirados
Semanas 3–4Respiração nasal claramente melhor; revisão endoscópica (remoção de crostas)
2–3 mesesEstabilização completa do resultado; edema interno residual resolvido
6 mesesResultado definitivo consolidado

Cuidados na recuperação: não assoar o nariz com força nas primeiras 2 semanas; lavagens nasais com soro fisiológico a partir do 3º–4º dia; evitar atividade física intensa por 3 semanas; evitar ambientes com poeira e fumaça na primeira semana. Retorno ao trabalho intelectual: geralmente entre 5 e 10 dias.

Resultados: o que muda depois da cirurgia

A septoplastia tem altas taxas de satisfação — entre 85 e 90% dos pacientes relatam melhora significativa da respiração nasal. Os benefícios esperados são:

  • Respiração nasal bilateral desobstruída: o resultado mais imediato e consistente
  • Redução do ronco noturno: especialmente quando combinada com turbinoplastia
  • Melhora da qualidade do sono: menos despertares, sono mais reparador
  • Redução de cefaleia: em pacientes com cefaleia de contato septal
  • Melhora do olfato: em alguns pacientes, a obstrução reduzia o fluxo de ar até a fenda olfatória
  • Redução de infecções sinusais: a ventilação normalizada dos seios reduz a estase de muco

Em cerca de 10–15% dos casos, pode haver resultado subótimo — por recidiva do desvio, hipertrofia residual de cornetos ou desvio em componente não corrigido. Nesses casos, revisão cirúrgica pode ser considerada após 12 meses de estabilização.

Septoplastia e plano de saúde

A septoplastia por indicação clínica — desvio de septo sintomático com falha de tratamento clínico — tem cobertura obrigatória pela maioria dos planos de saúde no Brasil, de acordo com a ANS.

Para garantir a cobertura, o paciente precisa apresentar:

  • Laudo médico descrevendo os sintomas, o grau do desvio e a falha do tratamento clínico
  • Solicitação de autorização cirúrgica pelo plano
  • Em alguns casos, laudos de exames (endoscopia nasal, tomografia de seios paranasais)

A turbinoplastia também tem cobertura quando indicada clinicamente e realizada no mesmo ato cirúrgico. A rinoplastia estética, quando adicionada, é custo adicional do paciente — mas a parte funcional (septoplastia) mantém cobertura.

Não. A septoplastia é realizada inteiramente dentro do nariz — sem incisões externas e sem manipulação da pirâmide nasal. O formato externo do nariz permanece idêntico após a cirurgia. Se o paciente deseja também corrigir aspectos estéticos, a rinoplastia pode ser realizada no mesmo procedimento (septorrinoplastia).

Surpreendentemente não. A maior parte do desconforto vem do tamponamento nas primeiras 24–48h — a necessidade de respirar pela boca e a sensação de pressão. Após a retirada do tampão, a dor é leve e bem controlada com analgésicos simples. A maioria dos pacientes se surpreende positivamente com o pós-operatório.

Para trabalho intelectual ou em home office, a maioria dos pacientes retorna em 5 a 7 dias. Para trabalho presencial em ambientes com poeira ou esforço físico, o retorno é entre 10 e 14 dias. Esporte e exercício intenso devem aguardar 3 semanas.

Sim. A septorrinoplastia combina os dois procedimentos em uma única cirurgia e anestesia, reduzindo o tempo total de recuperação. A parte funcional (septo) pode ser coberta pelo plano de saúde; a parte estética (rinoplastia) é custeada pelo paciente. O planejamento integrado é feito em consulta com o cirurgião.

Em uma pequena percentagem de casos (10–15%), pode ocorrer recidiva parcial do desvio — especialmente nas primeiras semanas, enquanto as cartilagens ainda têm "memória" da curvatura anterior. Por isso, o tamponamento e as visitas pós-operatórias são importantes para estabilizar o septo na nova posição. Recidivas significativas que justifiquem nova cirurgia são incomuns.

Em geral, o cirurgião prefere aguardar o término do crescimento da face (cerca de 16–19 anos, dependendo do sexo) para evitar impacto no desenvolvimento nasal. No entanto, crianças com obstrução grave causando apneia ou comprometimento importante da qualidade de vida podem ser operadas antes, com técnicas adaptadas que preservem ao máximo o crescimento cartilaginoso.

Sim, quando há indicação clínica documentada — desvio de septo sintomático com falha do tratamento clínico. O paciente precisa de laudo médico descrevendo os sintomas e a indicação, e o plano pode exigir autorização prévia. Em alguns planos, a endoscopia nasal e a tomografia de seios paranasais são solicitadas para documentar o caso. A rinoplastia estética, quando adicionada, não tem cobertura pelo plano.

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